31/08/2017 9:55 am

Espaço do Consumidor

ORIENTAÇÃO AO CONSUMIDOR

Alimentos seguros

Cuidados ao adquirir alimentos de origem animal

Carimbo de Inspeção

Todo alimento de origem animal deve ser fiscalizado por um serviço de inspeção oficial, seja ele federal,  estadual ou municipal e a informação sobre esta inspeção é apresentada nas embalagens por meio do carimbo. A ausência de tal indicação coloca em dúvida a garantia de qualidade do produto.

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Os produtos fiscalizados são carne, leite, ovos, mel, pescados e seus derivados.

Higiene

Seja qual for o estabelecimento de venda de alimentos como feiras, supermercados, açougues e etc., todos têm que estar sempre limpos e organizados.

A higiene dos funcionários que manipulam os alimentos também é fundamental.

Temperatura e armazenamento

Verificar se o alimento está exposto em temperatura e lugar adequado, conforme indicação do rótulo do produto.

Informações obrigatórias que devem conter nos rótulos:

  • Nome verdadeiro do produto;
  • Carimbo do serviço de inspeção oficial;
  • Nome da firma responsável;
  • CNPJ ou CPF e inscrição estadual;
  • Natureza do estabelecimento;
  • Marca comercial do produto;
  • Data da fabricação e data de validade;
  • Peso bruto e líquido ou volume;
  • Fórmula de composição do produto;
  • A especificação “Indústria Brasileira”;
  • Conservação do produto;
  • Informação nutricional.

CARTILHA DO CONSUMIDOR DO PROCON – MA

O serviço de Inspeção Estadual do Maranhão (S.I.E.-MA)

Foi criado em 1993, com a aplicação da Lei Federal nº 7.889 de  de 23/11/1989. A finalidade do S.I.E.-MA é realizar o registro, fiscalização e inspeção de estabelecimentos de produtos alimentícios de origem animal fabricados e comercializados dentro do estado do Maranhão, garantindo que a população tenha acesso a produtos com higiene e qualidade comprovadas.

Passo-a-passo para o registro de um estabelecimento de produtos de origem animal

  • Requerimento para laudo de vistoria do terreno;
  • Requerimento para aprovação do projeto de construção (documento da firma, licença ambiental, alvará da Prefeitura para construção, memorial econômico, sanitário, plantas, anotação de responsabilidade técnica);
  • Acompanhamento da construção;
  • Análise da água;
  • Aprovação dos croquis dos rótulos;
  • Registro do estabelecimento.

Principais doenças que são transmitidas ao homem por alimentos sem inspeção oficial:

  • Brucelose : A brucelose é uma enfermidade que acomete os animas e os seres humanos. Apresenta risco de contaminação humana pelo contato direto com material de origem animal infectado. Animais doentes eliminam a bactéria no ambiente através de partos, abortos e pelo o leite. A bactéria responsável nos bovinos é a Brucella abortus, a B. melitensis nos caprinos. B. ovis nos ovinos e a B. suis nos suínos. São microrganismos de forma em cocobacilos, imóveis, Gram negativos e aeróbios. Qualquer das três espécies tem habilidade de causar a infecção nos seres humanos sendo a principal via por ingestão de leite cru e/ou derivados, queijos frescos provenientes de animais infectados. Os sintomas caracterizam-se pelo aparecimento de dores musculares generalizadas, artralgias, mialgias, tontura, cefaléia, calafrios, transpiração, insônia, mal-estar em geral, perda de peso, anorexia, e febre insidiosa. Esta doença apresenta-se por longos períodos de incubação variando entre cerca de 5 a 30 dias ou mais. Outros sintomas como aborto, epididimite e orquite são evidentes com o passar do tempo.
  • Tuberculose: O Mycobacterium bovis, causador da tuberculose bovina, é responsável por parte dos casos de tuberculose em humanos, parcela esta desconhecida no Brasil. Estima-se que o M. bovis seja responsável por 3% de todas as formas de tuberculose humana na América Latina (Cosivi et al. 1998). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS, 1993), a infecção pelo M. bovis é responsável por aproximadamente 5% dos casos humanos de tuberculose no Brasil, sugerindo a importância de maior controle da transmissão de bovinos a humanos no País. Nos seres humanos, a prevenção da infecção por M. bovis baseia-se na pasteurização do leite, vigilância sanitária nos abatedouros, na vacinação (BCG) e, principalmente, no controle e erradicação da tuberculose bovina, prevenindo também a transmissão a outras espécies animais. A tuberculose é, geralmente, rara e esporádica em ovinos. Segundo Acha & Szryfres (1980), a prevalência em caprinos parece ser baixa, fato que pode ser devido ao abate doméstico (Nicoletti, 1987). Esta espécie é susceptível ao Mycobacterium bovis, que sofre mais comumente de tuberculose pulmonar, na qual, pode infectar os bovinos, reservatório principal do agente. Cordes et al. (1981), necropsiaram 26 ovinos e encontraram inúmeras lesões no pulmão (17; 65%), fígado (17; 65%), baço (7; 27%), intestino (6; 23%), coração (3; 12%) e nos rins (3; 12%). O diagnóstico da tuberculose bovina ganhou eficácia graças à combinação de técnicas mais sensíveis e específicas (provas sorológicas/análises de amostras de sangue) e métodos mais rápidos de identificação da Mycobacterium bovis (cultivo em meio líquido ou provas de amplificação em cadeia de polimerase); também através de uma série de análises epidemiológicas e a técnica da impressão digital do DNA, otimizando as medidas de controle. A administração da vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin), em doses baixas confere proteção contra a M. bovis, tanto no rebanho bovino como nos cervos criados em cativeiro. A vacinação no meio real oferece, no futuro, novas possibilidades de luta contra a tuberculose em países que carecem, atualmente, de um programa obrigatório de controle da enfermidade ou cuja fauna selvagem alberga reservatórios da infecção. Em alguns países, a existência de reservatórios selvagens da tuberculose cria obstáculos para a erradicação da enfermidade no rebanho bovino. Nesses países, o controle da infecção depende de manter as populações dos reservatórios selvagens a níveis de baixa densidade durante períodos prolongados. Outros países, entretanto, descartaram tal procedimento em razão de seu elevado custo ou das repercussões ambientais. No futuro, a vacinação das populações da fauna selvagem, que funcionam como reservatórios, poderá constituir numa solução alternativa (Lebbie, 1992).
  • Salmonelose: A salmonelose é motivo de preocupação à saúde pública, devido a sua capacidade de produzir infecções que variam, desde gastroenterites, a infecções sérias como septicemia, infecções localizadas, febre tifóide e paratifóide. A enfermidade é denominada de salmonelose e inclui o gênero Salmonella com várias espécies patogênicas para o homem e os animais. Pertence à família das Enterobacteriaciae, Gram negativos, móveis por flagelos, anaeróbios facultativos, sendo, os focos principais de infecção as fezes humanas e de animais. O agente da febre tifóide a S.typhi é uma das mais importantes. Outras espécies estão associadas às infecções alimentares como S. typhimurium, S. enteritidis e S. newport, sendo à S. typhimurium causadora dos maiores surtos encontrados na literatura. Esta espécie produz uma proteína enterotoxina de natureza lipopolissacaride. Entre os alimentos mais implicados em surtos de salmonelose em humanos, destacam-se carnes frescas, ovos, e leite, bem como os produtos derivados dos três (Bryan, 1982)
  • Botulismo: O Clostridium botulinum é o responsável pela enfermidade conhecida como botulismo, uma intoxicação alimentar grave que pode ser fatal para os seres humanos causando perturbações neuroparalíticas. Este microrganismo apresenta morfologia em forma de bastonetes, Gram positivo, dispostos em pares ou em cadeia, móveis por flagelos e anaeróbios. O seu habitat preferencial é o mesmo do C. perfringens. Esta espécie produz potentes e diferentes toxinas classificadas de A até G, com característica termoresistentes, somente destruídas pelo aquecimento a 80ºC, durante 30 minutos ou a 100ºC, durante 10 minutos. Os esporos estão distribuídos no solo, presentes com freqüência em produtos agrícolas, inclusive no mel, em sedimentos marinhos e nas vias intestinais dos peixes. Produtos alimentícios preparados ou conservados por métodos que não destroem os esporos do C. botulinum, permite a formação de toxinas. O botulismo clássico (alimentar) é adquirido através da ingestão de alimentos contaminados com a toxina botulínica. O botulismo do lactente ocorre por ingestão dos esporos botulínicos que proliferam nas vias intestinais. Os alimentos mais predispostos a contaminação pela produção destas toxinas são aqueles sujeitos a alguns tratamentos térmicos com vista à sua conservação e que não permitem a destruição dos esporos do C. botulinum (alimentos enlatados, em conserva ou os defumados).Sintomas: caracterizam-se o botulismo clássico por comprometimento agudo e bilateral de pares cranianos, por fraqueza e paralisia flácida das vias descendentes. Pode estar associado a secura na boca, disfagia (dificuldade em deglutir), perda da visão, e fraqueza muscular progressiva que evolui para paralisia respiratória. Tremores e vômitos podem estar presentes. O botulismo do lactente atinge menores de um ano e ocasionalmente, adultos, caracteriza-se por tremores, falta de apetite, fraqueza muscular, disfagia, podendo levar a insuficiência e parada respiratória. Os sintomas manifestam-se entre 12 a 36 horas após a ingestão dos alimentos podendo o óbito ocorrer dentro de um dia após o aparecimento dos primeiros sintomas.
  • Escherichia coli: É um habitante normal do intestino dos seres humanos e dos animais, que em situações podem causar infecções. De acordo com a forma de infecção, três cepas diferentes podem ser encontradas:
  1. As oportunistas, em geral, inócuas no seu habitat natural, ocasionando problemas se alcançarem outros locais no hospedeiro;
  2. As enteropatogênicas, são invasivas e causam lesões na mucosa do intestino, evidenciando as gastroenterites;
  3. As enterotoxigênicas, não são invasivas mas produzem enterotoxinas que atuam ao nível da membrana das células. Um dos aspectos com relação a contaminação dos alimentos quer seja carne, leite e derivados por E. coli refere-se em algum momento a poluição fecal durante a manipulação e processamento dos alimentos. Um dos casos mais alarmantes de infecção alimentar por E. coli ocorreu nos Estados Unidos, nos anos 80, por ingestão de queijo Camembert contaminado. Sintomas Caracterizam-se pelo aparecimento de diarréias, febre e náuseas que, normalmente, aparecem 6 a 36 horas após a ingestão do alimento contaminado.
  • Teníase e Cisticercose : São duas doenças distintas com sintomas e epidemiologia totalmente diferentes, apesar de serem causadas pela mesma espécie de cestódeo (parasita). A teníase é causada pela Taenia solium e/ou pela Taenia saginata, também conhecida como “solitária”. Já a cisticercose é causada pelas larvas dessas espécies de parasitas.   O homem é o hospedeiro definitivo e consequentemente a principal fonte de infecção deste parasita, sendo responsável pela transmissão aos animais e a si próprio. Teníase – é adquirida através do consumo de carne crua ou insuficientemente cozida contendo os cisticercos (larvas). Cisticercose – através do consumo de alimentos contaminados com os ovos da tênia, frutas, verduras, hortaliças que não são higienizados corretamente, através do consumo de água contaminada, ou ainda, no homem com teníase pode haver a auto-infestação já que os ovos podem ser encontrados nas mãos do hospedeiro, na região perianal (ânus) e perineal, nas roupas e até mesmo na mobília da residência.
  • Ciclo evolutivo da Teníase – a teníase é adquirida pelo homem quando ele ingere carne o cisticerco (larva) e este evolui para a forma adulta no intestino delgado. O verme adulto se fixa e começa a expelir os ovos e proglótides, que são excretados nas fezes humanas e podem contaminar o solo, a água e os alimentos.

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Fonte:http://www.essaseoutras.xpg.com.br/teniase-e-cisticercose-doencas-tenia-profilaxia-tratamento-e-tabela/

  • Ciclo evolutivo da Cisticercose – Ao ingerir ovos viáveis da tênia, estes chegam ao estômago e liberam o embrião que atravessa a mucosa gástrica, vai para a corrente sanguínea e se distribui pelo corpo, pode alcançar diversos tecidos (músculos, coração, olhos e cérebro) aonde irá se desenvolver o cisticerco (larva). Ao atingir o cérebro causam a Neurocisticercose, que é a forma mais grave da infecção.

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Fonte: https://www.saudemedicina.com/cisticercose/

       Prevenção:

  • Não ingerir carne crua ou insuficientemente cozida, ou ainda, proveniente de abate clandestino, sem inspeção oficial;
  • Consumir apenas água tratada, fervida ou de fonte segura;
  • Lavar bem as mãos, principalmente após usar o banheiro e antes das refeições;
  • Lavar bem os alimentos como verduras, frutas e hortaliças com água limpa;
  • Irrigar hortas e pastagens com água limpa e não adubar com fezes humanas;
  • Construir sanitários com fossa séptica. • Realizar o tratamento dos efluentes de esgotos de forma adequada para que estes não contaminem o solo, a água e os alimentos;
  • Fazer periodicamente exames de fezes em moradores de área rurais.

Referências:

http://www.higieneanimal.ufc.br/anais/anais1/anais1-06.pdf

http://www.dive.sc.gov.br/conteudos/zoonoses/publicacoes/Teniase_X_Cisticercose.pdf

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